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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ordinariazinhas

É isso que é ser Apple addicted?



domingo, 6 de dezembro de 2009

Meu rugido dominical




Tem uma senhora de quase 80 anos da qual sou amigo há alguns anos. Essa senhora é de origem estrangeira e vive no Brasil há mais de 40 anos. Casou-se no seu país e, para fugir à guerra e a perseguições políticas, emigrou para o Brasil e aqui se estabeleceu. Posso dizer que ela é mais brasileira do que estrangeira. Aqui estão suas raízes, embora ainda mantenha ramificações no seu país de origem.


Na maior parte do tempo, nos damos muito bem. Por vezes, temos nossos conflitos porque somos, ambos, de opiniões bastante firmes. Ela costuma me definir como um dos piores expoentes da sua própria origem - de fato, tenho ascendência - porque sou, muitas vezes, irascível e finco pé em algumas questões que a ela lhe parecem bastante radicais.


Embora tenhamos esses conflitos, isso nunca foi suficiente para nos afastarmos e, no geral, temos um convivência bastante pacífica. Ontem eu estava em casa dela e testemunhei uma conversa telefônica entre ela e uma pessoa que vive no seu país de origem. Em dado momento, ambos se alteraram (eu, inclusive, pude ouvir alguns fragmentos que vinham do outro lado da linha) e ela comentou que mesmo num país de terceiro mundo como o Brasil, aquilo (um determinado comportamento) não era assim. Ao que ele retrucou que não era terceiro mundo, e sim quarto mundo. Emendou e referiu-se a um terceiro país como de quinto mundo (esse país é latino-americano).


Quando ouvi isso, senti minhas faces queimarem. Fiquei até mesmo indignado. Não sou nacionalista. Ao contrário, acredito, por princípio, que o mundo, guardadas as questões legais, políticas e fronteiriças deve, na medida do possível, ser passível de ser palmilhado em toda a sua abrangência por qualquer pessoa que viva neste planeta. Gostaria demais de levar ao pé da letra a expressão 'cidadão do mundo' e poder viajar sem barreiras por toda esta Terra que nos acolhe.


Depois, quando ela encerrou a conversa telefônica, abordei o assunto e disse (e fui, tenho certeza, bastante polido) que a conotação de 'terceiro mundo' que ela tinha atribuído ao Brasil era de um significado denotativo: encerra uma opinião, geralmente, bastante preconceituosa sobre o país que a acolheu e do qual ela extraiu, para o bem e para o mal, tudo o que tem. E não materialmente. Ao contrário, de família, amigos, vida em sociedade etc.


Já faz algum tempo que me incomoda ser referido como cidadão do 'terceiro mundo'. Essa divisão do mundo em mundos serve a interesses outros e ajuda, creio, a disseminar mais do que uma divisão territorial: consolida uma visão de que seremos fadados sempre a sermos a franja do mundo, a borda, aquele tipo de subúrbio que nunca, de fato, chegará a lugar nenhum, condenado que está a ser permanentemente periferia do mundo grande, dos adultos, do 'primeiro mundo'.


Prefiro, na minha escassa diplomacia geopolítica, dividir as nações mundiais em Antigo Mundo (Ásia, África e Oriente Médio, que são as primeiras civilizações humanas das quais se têm notícia), Velho Mundo (Europa, que refinou o conhecimento humano a níveis antes nunca registrados) e Novo Mundo (Américas, Austrália e Nova Zelândia, que formam os países mais novos do mundo em termos de 'civilização' como a definimos cultural e historicamente).


Os conceitos de 'primeiro', 'segundo' e 'terceiro mundo' fazem parte da Teoria dos Mundos, designação dada para diferenciar as nações conforme suas grandezas econômicas. Mas essa teoria valeu entre 1945 e 1990 e era, a essa altura, para ter caído em desuso porque não define com precisão esse mundo globalizado. Agora, usa-se 'países desenvolvidos' e 'países subdesenvolvidos', teoria igualmente criticada porque também não retrata a realidade. Por fim, classificam-se - o Brasil entre eles - alguns países como 'emergentes'. Que também é imprecisa: parece que estávamos submersos nos últimos 500 anos (caso do Brasil) e somente agora, nos últimos 15, 20 anos, viemos à tona.


A Teoria dos Mundos nasceu para classificar as nações desenvolvidas, o 'primeiro mundo', e as diferenciar do antigo bloco socialista liderado pela ex-União Soviética, o 'segundo mundo'. As demais, Brasil incluso, seriam o 'terceiro mundo'. Com a queda do regime comunista - exceto na Coreia do Norte, China e em Cuba -, as denominações mudaram e passaram a outras: 'desenvolvidas', para nações industrializadas, ricas, democráticas e com alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano); 'emergentes', industrializadas mas que apresentam problemas estruturais; 'subdesenvolvidas', que são as nações pobres, de baixo IDH e que sobrevivem com economias primárias.


Ainda conforme a Teoria dos Mundos, existem, sim, o 'quarto' e o 'quinto mundos': nações como a Palestina e o Tibete, internacionalmente reconhecidas mas não independentes, seriam o 'quarto mundo' e as micronações, que são territórios como a Tchetchênia, os curdos e parte de chineses, que querem proclamar a independência da nação-mãe (Rússia, Iraque e China, no exemplo citado, respectivamente), são chamadas de 'quinto mundo'.


O que me incomoda é que essas classificações, que servem apenas para definir um cenário geopolítico do mundo, nos diferenciam, eventualmente, como povo. O Brasil, em grande parte, é formado pelo Antigo Mundo (africanos), Velho Mundo (portugueses e outras nações, inclusive das quais eu descendo) e Novo Mundo (os índios, nativos desta terra). Não vejo, contudo, o que há de tão diferente entre eu mesmo, como humano, e um europeu, um asiático, árabe, africano ou australiano. Não é porque alguns teóricos me chamam de 'terceiro mundo' que sou, cultural e intelectualmente, diferente dos 'primeiro' e 'segundo' mundos.


E, de novo, ainda de forma diplomática, fiz ver à minha amiga europeia que nossas diferenças são, fundamentalmente, geográficas: as grandes bases de pensamento, as pensamos de forma bastante semelhante, não obstante termos entre nós séculos de formação como povo e nação. Eu lhe disse, inclusive, que a visão 'primeiro-mundista' sobre os 'terceiro-mundistas' significava que ela enxergava a mim mesmo como parte de um mundo ainda sob o domínio clássico do Velho Mundo.


Claro que ela refutou a minha tese. Mas, no final, concordou que era uma grande bobagem essa distinção porque, em alguns momentos, a despeito das nossas diferentes 'civilizações', temos, em comum, o que, imagino, todos os seres humanos têm: queremos, ambos, sermos felizes dentro do que nos é permitido, sejamos 'primeiro' ou 'terceiro' mundos.


Atrevo-me a ir além e dizer que o mundo sou eu (sem analogia com o Rei Sol) porque encerro em mim mesmo o intercâmbio de todos os cruzamentos culturais que me deram origem. Creio que passou da hora de acabar com essas fronteiras ideológicas que insistem em separar em camadas um mundo que, afinal, é um só. Porque eleger o 'primeiro' implica em colocar abaixo o 'segundo', o 'terceiro', o 'quarto' e o 'quinto'. E, enquanto prevalecer essa concepção, seremos, os de baixo, apenas suporte para os de cima. Ou, conforme uma expressão que me agrada: somos todos iguais mas alguns somos mais iguais do que outros.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Gallery

O quadro tem dimensões pequenas - 39 x 29 cm - mas a dimensão humana retratada é grandiosa: o objetivo do pintor Pietro Perugino era articular, com a obra, um ideal de dignitas humanística. Dignitas, em latim, significa "valor pessoal, mérito, virtude, consideração, estima, honra". Na tela, estão retratados Apolo e Mársias (Apollo and Marsyas). A obra é duplamente mitológica, a despeito da leitura humana que se possa fazer: Apolo é o deus olímpico e Mársias é um sátiro. Mas ambos foram tornados humanos por Perugino que pretendia, assim, passar a ideia da dignitas.





Tradicionalmente, acredita-se que o quadro represente o confronto entre Apolo e Mársias. No entanto, a placidez e serenidade idílicas desmentem essa interpretação. "Apolo e Mársias" foi feito sob encomenda dos Médici.


Perugino, nascido Pietro di Cristoforo Vanucci (1450-1523), tornou-se Pietro Perugino porque nasceu em Città della Pieve, na Perugia, Itália. Foi um dos mais importantes pintores da Alta Renascença. Teve como mestres Benedetto Bonfigli, Fiorenzo di Lorenzo e Niccolò da Foligno. Trabalhou também com Leonardo da Vinci e foi um dos primeiros artistas a dominar a técnica da pintura a óleo.


Em 1480, foi a Roma trabalhar nos afrescos da Capela Sistina. Infelizmente, o trabalho feito por Perugino na Capela Sistina foi destruído para dar lugar ao "Julgamento Final" de Michelangelo. Os dois, inclusive, tiveram profundas divergências ao trabalharem sob o mesmo teto. Embora não confirmado oficialmente, Rafael teria sido seu aprendiz. Por fim, Perugino foi bastante desacreditado e dele se dizia que suas obras eram executadas pelos aprendizes.


O quadro "Apollo and Marsyas" faz parte do acervo do Museu de Louvre, em Paris, e consta, no catálogo, desde 1883, como uma obra de Rafael, e não do próprio Perugino. Por vaidade da curadoria do museu ou porque Perugino se apropriava, de fato, das obras feitas pelos aprendizes. São histórias da pintura - e da arte, em geral - que nunca serão definitivamente elucidadas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O mau-humor como antídoto da auto-ajuda

"Pense positivo", "mentalize seus sonhos", "deseje e terá", "faça as coisas acontecerem", "acredite!": esses chavões, literalmente, se pretendem abridores de grandes portas pelas quais atravessaremos, ilesos, em direção os reinos da boa-aventurança. Seremos, portanto, premiados por sermos positivistas, proprietários que somos de um acúmulo de boas intenções, pensamentos e atos que, teoricamente, nos darão acesso a colheitas fartas, fruto de nossos plantios vagos.





Rechaço esses lugares-comuns com veemência. Acabei de ler um artigo do jornal "The New York Times" que trata da suposta ascensão das pessoas mal-humoradas. No artigo, uma escritora relata como a promoção do pensamento positivo minou os EUA. A escritora teve câncer e foi inundada de fitas cor-de-rosa (os pinkk ribbons, lacinhos rosa que simbolizam a luta contra o câncer, equivalentes aos lacinhos vermelhos que representam as ações da AIDS) e por slogans do tipo: "Quando a vida lhe dá limões, faça limonada". A mensagem implícita nesses atos, segundo a escritora, era que, mesmo com a doença a lhe corroer por dentro, ela tinha que se animar e aceitar aquela situação e que, se não o fizesse, jamais se recuperaria.


Os EUA são pródigos nessa atitude mas não estão sós. O "american dream" (sonho americano) é bastante simbólico: "se você sonhar e acreditar, a coisa se realiza". A autora e outros norte-americanos, que se intitulam "Os Negativos", creditam, inclusive, a bolha das hipotecas norte-americanas a essa atitude. E foi essa bolha que explodiu no mundo inteiro, com as consequências que ainda sentimos em nossas faces, a escorrer por aqui e por ali (veja Dubai).


Uma das intenções dos "Negativos" é despertar a sociedade da ilusão em massa que é vendida por essa verdadeira indústria da auto-ajuda. A sugestão, ou auto-ajuda, está intimamente ligada a um condicionamento justamente simbolizado pelos chavões.


É como quando fazemos 40 anos e as pessoas nos dizem: "A vida começa aos 40!". Ou quando fazemos 60 e nos dizem que os 60 são os novos 40! Sorry! Quarenta anos é metade da vida, e não início. E se você pensa em começar a partir dos 40, alguma coisa está errada. Não se começa nada aos 40. No mínimo, arrasta-se a partir dos 40. E o que dizer dos 60? Novos quarenta? Pergunte ao seu corpo.


Não me pretendo mais realista do que o rei. Mas sou bastante lúcido quanto a essas questões. Não chego a uma total incredulidade mas tenho a exata dimensão das limitações, sejam elas de idade ou de pensamentos que, por força da positividade neles embutida, farão algo acontecer.





OK, claro que acredito que se eu começar a cultivar apenas pensamentos negativos, tudo à minha volta será recoberto pela negatividade. Mas isso já é depressão. Escrevo aqui sobre os verdadeiros chavões. De coisas práticas. Por exemplo, eu presto um serviço e não sou pago por isso. Comento isso com alguém e a pessoa me responde: "Se Deus quiser, tudo dará certo". Ou, ainda, "Não se preocupe, as coisas se arranjam". Não! Não e não! Nada se arranja. Nenhuma entidade me ajuda. Não se trata do divino. Trata-se de pessoas, de transações comerciais.


A atual novela das 21 horas da Rede Globo, "Viver a Vida", tem duas personagens antagônicas: Luciana (Alinne Moraes), que está paraplégica, e a irmã, Isabel (Adrina Birolli), cujo discurso não tem meias palavras. Luciana é a 'coitadinha' e Isabel é a 'vilã', a 'cruel'. Concordo que há uma dose de crueldade na personagem. Mas a maior parte do que ela diz é verdade. No entanto, é condenada por todos por dizer o que quase todos pensam mas não expressam. Esse maniqueísmo me cansa. Assim como me cansam os depoimentos de gente real ao final do capítulo que pregam vitórias sobre os mais diversos males. É exatamente a mesma coisa que "Os Negativos" dos EUA atacam: "se você não aceitar a situação, não sobreviverá". Pelo pouco que conheço do humano, com as exceções de praxe, todos lutarão para ficar vivos até a última gota de sangue.


Portanto, posso até soar como mal-humorado. Mas não acredito nessa lenga-lenga de pensamento positivo, de 'mentalização' sobre coisas boas. A vida é o que é. Não é uma fantasia. Não é sonho. É o fato. E de como você lida com isso. Parece contraditório mas não é não. Nem tanto à terra, nem tanto ao céu: não dá para acreditar que está tudo bem, quando obviamente não está e tampouco se colocar na condição de vítima - "por que aconteceu comigo?", "o mundo me odeia".


Um pouco de mau-humor contra as nuvens positivas que volta e meia perpassam sobre as nossas cabeças pode muito bem ajudar a enxergar o que não é tão óbvio e não criar expectativas que se frustram de tempos em tempos. Se isso é ser mal-humorado, devo sê-lo, então.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

En la isla bonita con Alejandro y Fernando

O princípio





O meio





O fim






quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nude do dia

Muita nudez por esses dias nos EUA. De famosos e anônimos. Deve ter algo a ver com as emissões de gás carbônico e com o fato dos EUA não terem se comprometido. Ou, ainda, com a proximidade do encontro de Copenhague. Quaisquer que forem os motivos, o fato é que peladas e pelados pululam em território norte-americano.


O primeiro da lista é o jogador de beisebol Grady Sizemore, cujas fotos, feitas por ele mesmo (olha o detalhe do iPhone numa mão e a caneca na outra), foram roubadas do e-mail da namorada e postadas na internet. Sizemore joga no Indians, de Cleveland, que faz parte da Major League Baseball (MLB) dos EUA. A MLB tem tentado, sem grande sucesso, remover as fotos de Sizemore dos sites. Como você vê abaixo, não conseguiu:







A outra pelada vem, de novo, da mais recente campanha da PETA e causou irritação nos católicos. A coelhinha da Playboy e competidora do "Dancing With the Stars" dos EUA, Joanna Krupa, posou nua com uma auréola sobre a cabeça, coberta apenas com um crucifixo e com a legenda: "Be An Angel for Animals" ("Seja Um Anjo Para os Animais"). A seguir, a foto polêmica:






Nesta terça-feira, calor em São Paulo, outros dois norte-americanos devem ter sentido o mesmo calafrio a lhes percorrer o corpo: o primeiro correu nu numa rodovia em Anderson, na Califórnia, com direito a perseguição por helicóptero. Tudo o que se sabe é que o homem, de 48 anos, estava bêbado (veja o cerco abaixo).






O segundo, de Hannibal, Missouri, também foi pego em uma corrida. Mas pelas ruas da cidade. Ao ser preso, o homem de 41 anos (foto acima, já na cadeia) disse que havia perdido uma aposta. Não colou.

São Pedro do Turvo no mapa

Da minha cidade natal, São Pedro do Turvo (390 Km de São Paulo, entre Bauru e Marília), sempre se questionou sua existência a cada vez que se lhe citava: "está no mapa?", "tem TV?". Essas piadinhas típicas das gentes das grandes cidades ocultam, na minha opinião, um desconhecimento de um Brasil interior que, não sei se por conta da velocidade dos tempos entre grandes e pequenas cidades ser bastante diferente, cria um abismo entre o interior e as capitais.





A despeito do fato de São Pedro do Turvo ter 120 anos de fundação (uma quase tataravó, portanto), com IDH de 0,756 (considerado médio) e uma população de 7,439 pessoas (IBGE deste ano), a expansão comercial e industrial nunca foi um fator relevante para o município. Acho que São Pedro do Turvo, 81º. município em extensão territorial do Estado de São Paulo (entre 645 municípios), sempre teve uma vocação agropecuária, até mesmo por conta do espaço dedicado ao plantio e à criação de rebanhos animais.


Ontem, terça-feira, 1º. de dezembro, constatei, com grande surpresa, que o aparente verde que toma conta da paisagem de São Pedro do Turvo é uma ilusão. Claro que nesses longos anos da minha migração de São Pedro para São Paulo, muito verde se foi: árvores, capões de mato, mata nativa e de nascente deram lugar a pastagens e, sobretudo, para o plantio de cana-de-açúcar, mandioca e soja. Mas eu não tinha dimensão de quanto estrago havia sido feito em detrimento da preservação: entre os 20 municípios com a pior pontuação ambiental, São Pedro do Turvo está em 5º. lugar no ranking negativo (num universo de 570 municípios).


A classificação negativa foi publicada pela Secretaria do Estado de São Paulo do Meio Ambiente que entregou o prêmio ambiental exatamente ontem, terça-feira, para o município de Santa Fé do Sul, que recebeu 94,40 pontos. Pelo segundo ano consecutivo, Santa Fé do Sul recebeu a classificação de "município mais verde (preservação ambiental) e azul (águas não-poluídas)". São Pedro do Turvo, com a desagradável colocação entre os piores do Estado, ficou com 11,12 pontos (veja a lista dos 20 piores abaixo).





Isso coloca o município no mapa, finalmente, a que tanto (os moradores) almejamos. Mas nos coloca em projeção negativa. Com o Google Earth, é possível, no entanto, entender o que acontece. Basta um voo satelital por toda a extensão municipal para entender porque a pontuação nos garantiu tão baixa classificação: há imensos vazios, sinais de queimadas (todo ano, a cidade convive com a execrável fumaça da queima das plantações de cana-de-açúcar) e o Rio Turvo, que nomeia a cidade, que era turvo por natureza, agora é turvo por poluição.


O fato de eu não estar no dia-a-dia na comunidade são pedrense não impede que eu chame a atenção para isso. Eu não vivo em São Pedro, mas a maior parte da minha família sim. E são essas pessoas e todos os demais habitantes da região que, de forma direta ou indireta, sofrem as consequências: calor, fenômenos ambientais cada vez mais presentes (trombas d'água, ventos fortes), moscas etc.


Quando eu morava em São Pedro, eu já não gostava da degradação que via: derrubada de matas para transformar fazendas inteiras em roças ou pastagens. Nunca fui (e nem sou tampouco agora) um 'verde', um ecologista. Mas entendo perfeitamente que a contínua degradação do ambiente nos levará (a São Pedro do Turvo, ao Brasil e ao mundo) a um estado crítico, catastrófico mesmo, de falta de água e outros males os quais nem somos capazes de prever.





O "Prêmio Município Verde" foi criado em 2007 com o objetivo de ressaltar a preocupação dos municípios com os recursos hídricos. Dos 570 municípios participantes na edição deste ano, apenas 156 receberam o certificado "verde e azul". Para se chegar à pontuação, a nota abrange dez diretrizes ambientais: esgoto tratado, lixo mínimo, recuperação de mata ciliar (vegetação nativa das margens de rios e mananciais), arborização urbana, educação ambiental, habitação sustentável, uso da água, poluição do ar, estrutura ambiental e conselho ambiental.


A conquista do prêmio vai além da vaidade: significa, para os ganhadores, prioridade na captação de recursos do governo estadual para projetos de melhoria ambiental. Em 2010, serão destinados R$ 50 milhões para esse segmento. Claro, apenas para as cidades que receberam o certificado. Mas o que está em jogo não é o dinheiro, e sim a herança que se deixará para os habitantes de São Pedro do Turvo e dos demais 5.563 municípios de todo o Brasil. Abaixo, a lista dos 20 municípios com a pior pontuação do Estado de São Paulo:


1º. Itararé - 3,22 pontos
2º. Aparecida - 6,62 pontos
3º. Cananéia - 10,17 pontos
4º. Santa Branca - 10,87 pontos
5º. São Pedro do Turvo - 11,12 pontos
6º. Itaí - 12,13 pontos
7º. Catiguá - 12,83 pontos
8º. Potim - 13,52 pontos
9º. Guareí - 13,52 pontos
10º. Pirajuí - 13,98 pontos
11º. Duartina - 14,63 pontos
12º. Cafelândia - 14,70 pontos
13º. Analândia - 15,03 pontos
14º. Itobi - 15,62 pontos
15º. Mairinque - 17,96 pontos
16º. Ferraz de Vasconcelos - 18,37 pontos
17º. Cardoso - 18,62 pontos
18º. Arapeí - 18,74 pontos
19º. Holambra - 19,45 pontos
20º. Orindiúva - 19,59 pontos

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Conheça, compreenda, compartilhe, combata

Hoje, 1º. de dezembro, é o Dia Mundial de Combate à AIDS. A data é marcada no mundo todo para conscientizar as pessoas sobre a doença. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 35 milhões de pessoas portam o vírus da AIDS em todo o mundo. No Brasil, são mais de 500 mil pessoas.





Conheça - o que causa e como se prevenir
Compreenda - que os portadores precisam de apoio
Compartilhe - o conhecimento sobre a AIDS
Combata - o preconceito que cerca a doença

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Hajj, uma tradição de 1.381 anos

Na semana passada, cerca de 3 milhões de muçulmanos fizeram a peregrinação de seis dias aos locais sagrados do Islã. Essa peregrinação faz parte do rito anual de orações, o Hajj, cujo destino é Meca, na Arábia Saudita. No século VII, o profeta Maomé proclamou o islamismo na cidade, o que a tornaria, portanto, importante até os dias atuais na história do desenvolvimento do Islã.






Anualmente, Meca recebe enorme contingente de muçulmanos para o Hajj (que significa 'peregrinação', em árabe). Hajj é um dos pilares da religião islâmica. Os demais são testemunho, reza, esmola, jejum e ramadan (também ramadã e ramadão, que é o nono mês do calendário islâmico).


A primeira caminhada em direção à Meca foi feita no ano de 628, quando o próprio Maomé conduziu 1,4 mil fiéis para a cidade. Segundo os fundamentos do Islã, Deus ordenou a Abraão e a seu filho Ismael que reerguesse os pilares da Caaba ('meteorito', em árabe, que é o colossal cubo em torno do qual os muçulmanos oram em Meca) e chamasse as pessoas para a peregrinação. Desde então, o ritual se repete com os fiéis a seguir os caminhos e reproduzir os atos de Abraão.






O Hajj (ou Hadj) deve ser feito, pelos muçulmanos, ao menos uma vez na vida e somente pode ser realizado uma vez por ano, entre o oitavo e o décimo dia do mês de Dhu al-Hijja (é o último mês do calendário islâmico). Se a peregrinação ocorrer em outra época do ano, será chamada de 'Umra'. No entanto, a Umra não substitui o Hajj.


Entre os rituais para a concretização do Hajj, o peregrino, a uma determinada distância de Meca, deve entrar no estado de 'ihram' (sacralização ou estado sagrado). Para isso, deve vestir a 'iharam' (duas peças de tecido branco e não cosidas e sandálias também não cosidas). Durante o ihram, o peregrino não pode cortar o cabelo e as unhas, não deve usar perfumes, matar animais, discutir ou lutar, manter relações sexuais e casar.








Ao entrar na Grande Mesquita de Meca, o fiel faz o 'tawaf', que são as sete voltas em torno da Caaba no sentido anti-horário (cada volta é chamada de 'shawt'). Durante essas sete voltas, o muçulmano profere orações. E as três primeiras voltas devem ocorrer em passo mais acelerado. E há mais uma série de práticas para encerrar o ritual cujo ápice é ir ao Arafat (referido como monte mas que é, de fato, uma planície a 20 Km de Meca). Esse é o ponto alto do Hajj. O fiel que cumpriu todo o ritual do Hajj pode adicionar como prenome as palavras 'El hajj' ou 'el hadj' ao nome. Por fim, alguns peregrinos aproveitam para visitar Medina, também na Arábia Saudita, onde está localizado o túmulo do profeta Maomé.







A Caaba (ou Kaaba ou Kabah) é uma construção cúbica que fica na mesquita de Al Masjid Al-Haram. Tem 15,24 metros de altura e é permanentemente coberta com uma manta escura com bordados dourados. Dentro dessa construção, está guardada a 'Hajar el Aswad' (pedra negra, em árabe), de 50 centímetros de diâmetro, considerada uma das relíquias sagradas do Islã. Supõe-se que a pedra provem dos restos de um meteorito.


Quando Maomé proclamou o islamismo, incitou, com o gesto, o repúdio aos deuses pagãos (politeísmo) e o culto a um Deus único (monoteísmo), que é Alá. Ao fazer isso, Maomé conservou a Caaba que, no paganismo, simbolizava o sistema solar e abrigava 350 ídolos (representação zodiacal).

domingo, 29 de novembro de 2009

Meu rugido dominical








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Reticência

s.f. Supressão ou omissão voluntária de uma coisa que poderia ou deveria ter sido dita: a própria coisa omitida: usou de reticências em todo o discurso. / Retórica Figura pela qual o orador, interrompendo-se, faz perceber o que não quer dizer expressamente. / S.f.pl. Gramática Sinal de pontuação, série de pontos (...) com que se marca essa omissão ou interrupção.

Reticente

adj. Em que há ou que manifesta reticência; que cala ou não expressa completamente seu pensamento; reticencioso: mostrar-se reticente.


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Redneck, em inglês, define um homem rude (e nude), grosseiro. Às vezes, posso ser bem bronco. Mas, na maior parte do tempo, sou doce, sensível e rio de tudo, inclusive de mim mesmo. (Redneck is an English expression meaning rude, brute - and nude - man. Those who knows me know that sometimes can be very stupid. But most times, I'm sweet, sensitive and always laugh at everything, including myself.)
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